O conceito de lugar na análise e projeto da paisagem urbana

O MISTÉRIO DO DESIGN DOS JARDINS CHINESES REFLETIDOS NO SUNKEN GARDEN TUMO PARQUE REVELA COMO TOPOGRAFIA PODE SER PENSADA EM ARQUITETURA PAISAGÍSTICA OS PRINCÍPIOS DE GEHL ARCHITECTS PARA QUE AS CIDADES SEJAM MAIS HABITÁVEIS

Sobre

UMA FILOSOFIA DE TRABALHO

O presente blog surge como consequência de mais de 40 anos de trajetória profissional e acadêmica, em varias locações (Argentina, Brasil e Puerto Rico/USA), que exprime a essência da filosofia que orientou sempre meu trabalho, marcada em forma acentuada pela intima relação entre a arquitetura, a cidade e a paisagem.

Entendida essa verdadeira tríade, como a representação mais clara das diferentes faces de um mesmo fenômeno – o espaço do homem-, minha obra e trajetória acadêmica reflete a incessante procura na integração desses aspectos.

Formado em 1974 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Buenos Aires–Republica Argentina-, e concluindo minha formação acadêmica com obtenção do grau de Mestre e Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1990-1996), vários foram os mestres – em um país e outro- que fortemente afetaram a consolidação de minha filosofia de atuação, tais como os arquitetos Macedônio Oscar Ruiz ( Argentina), João Vilanova Artigas, Abrahão Sanovicz, (na qualidade de orientador de pós-graduação e amigo pessoal),Miranda Martinolli Magnoli, Elide Monzeglio  e Paulo Mendes da Rocha ( em São Paulo – Brasil ), entre muitos outros.

É minha clara convicção que a arquitetura, vista a partir desse duplo enquadramento – urbanístico e paisagístico-, desempenha um papel crucial na construção da cultura humana, o que levou-me, todos estes anos, a manter a busca de uma coerência rigorosa na busca pelos princípios que orientam a criação do ambiente humano, emoldurada no contexto da qualidade ambiental e material das obras e da permanente renovação técnica dos processos produtivos, valorizando o desenho como instrumental de pesquisa, assim como de uma postura ética inabalável.

A busca de tal coerência me levou a procurar no ensino acadêmico – em forma paralela a militância profissional- uma forma de contribuir a disseminação de tais princípios e idéias, o que venho fazendo desde 1993 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a frente da equipe que reformulou o ensino de paisagismo nesta Instituição, objetivando esclarecer as novas gerações de profissionais, qual a abrangência e responsabilidades da profissão do arquiteto -no Terceiro Milênio- na produção de um ambiente construído humano de melhor qualidade de vida, num contexto sustentável.

Destaco também, minha passagem pela Escola de Arquitetura da Universidade de Puerto Rico – Recinto Rio Piedras, em San Juan de Puerto Rico, como professor visitante (2004-2006), a que representou uma experiência inesquecível de continuar a desenvolver tais ideias, no contexto de uma cidade latino-americana do Hemisfério Norte.

É, portanto, destas motivações pessoais que surge uma ampla diversificação temática e técnica, na minha trajetória profissional, abrangendo temas bem diversos que vão da habitação multifamiliar ou unifamiliar de alto padrão à habitação popular, do projeto de grandes conjuntos de edificações de caráter institucional a parques, praças e intervenções urbanas complexas, como o caso do “Hellenikon Metropolitan Park and Development Areas”,  em Atenas – Grécia (2004); o “Campus de la  Justiça de Madrid”– Espanha (2005) ou, ainda, a proposta vitoriosa de requalificação urbana da Área Central de Belo Horizonte, no Concurso “Ruas da Cidade” (2000), de Goiânia, “ Concurso Attilio Correia Lima” (2000) e São Paulo, com o “Concurso de Requalificação Urbana do Largo da Batata” (2002).

UM PROJETO E UM LEGADO

A ideia do projeto deste blog se fundamenta –portanto- no conjunto de ideias antes mencionadas, somado a uma excelente experiência acadêmica no seio das disciplinas de Projeto Paisagístico 1 e Analise da Forma Urbana e da Paisagem 1, proferidas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Brasil desde 1994, aliadas a introdução no meio local de novas ideias de estruturação do espaço urbano e da paisagem formuladas pelo grupo Project for Public Spaces  ( PPS) sediados nos EUA.

Esta Organização, que há mais de duas décadas vem disseminando – e executando- projetos de requalificação urbana ao redor do mundo, pode ser genericamente caracterizada por tratar as questões urbanas numa postura mais “pês no chão”, saindo da típica sisudez teórico-acadêmica, para incorporar o estudo dos cenários do cotidiano das cidades e seu papel na saúde social das mesmas, resgatando o tema do “ Lugar” e de “ Projeto de Lugar” (Placemaking), como forma de atingir tais objetivos.

Por outro lado o conjunto de material gráfico, escrito e teórico aqui colocado, pretende se tornar parte do meu humilde legado sobre o que penso a respeito, assim como de colegas e colaboradores que embora muito amigos, nem sempre coincidem com os meus, contribuindo para diversificar o debate.

Este canal fica aberto a todos que queiram contribuir, contando desde já com a colaboração de todos.

MARIO CENIQUEL

Professor Dr. Arquiteto & Urbanista – Associado 1

FAU – UFRJ

Departamento de Urbanismo e Meio Ambiente

Responsável por Projeto Paisagístico 1


CONSIDERAÇÕES GERAIS DA DISCIPLINA AUP 1

 

Por outro lado, analisando a filosofia da disciplina Analise da Forma Urbana e da Paisagem 1, esta forma parte do entendimento de que para adotar a temática da analise como tema central de um curso voltado para formação de um arquiteto deve-se -antes- conhecer claramente qual o objeto da mesma e – logicamente- seu objetivo principal, para não correr o risco de transformar algo que é uma ferramenta de extrema utilidade, em um fim em si mesmo.

Em nosso caso particular – um curso de graduação de arquitetos e urbanistas- a analise forma parte de um processo maior – o processo de criação, ou seja, o Projeto-, e os estudos que tal analise supõe, devem estar claramente inseridos metodologicamente em tal Processo, de forma tal que seu resultado possa sentar as bases de ação para propostas físicas concretas.

Enquanto objeto de analise especifico, a Paisagem – como um conceito geral- abrange um leque extremamente amplo de questões, constituindo um campo disciplinar acentuadamente abrangente e multidisciplinar, que conforme a escalas de abordagem adotada pode ir do projeto de um jardim particular a questões ambientais planetárias (exemplo: Conferencia Rio+20; Protocolo de Kyoto, Agenda 21, Conferencia Rio 92, etc.)

Portanto, é necessário esclarecer que tal diversidade de abordagens requer um recorte claro do que será objeto de analise da paisagem no presente curso, que nos remete, objetivamente, á Paisagem Urbana.

Sob este prisma, pretende capacitar o aluno a analisar o processo de formação da paisagem urbana, através de uma leitura critica do espaço por meio de abordagens diferenciadas que valorizam o seu papel transcendental na formação da memoria urbana e do sentimento de pertinência de seus habitantes, sem perder a compreensão dos elementos fundamentais que constroem a qualidade ambiental do espaço urbano, instrumentalizando o estudante de arquitetura, tanto em termos práticos como conceituais, para o projeto da paisagem, num casamento indivisível com a arquitetura e a cidade.

Portanto a disciplina utilizou como referencial teórico conceitos, estudos e análises referentes à questão urbana e as questões interligadas à paisagem, que ajudam a compreender os fenômenos e os sistemas que integram a cidade e que resulta numa determinada configuração do território, visando a instrumentalização do Projeto.

METODOLOGIA:

O curso se organizou conceitualmente em 04 (quatro) grandes módulos de ensino:

1. Os Fundamentos;
2. A Historia da Relação do Homem com a Natureza
3. A Analise, e seus diversos níveis de abordagem:
a. Analise da Estrutura Visual da Paisagem;
b. Analise de Qualitativa de Lugar;
c. Analise Morfológica da Paisagem;
d. Analise de Potenciais Paisagísticos:
i. Diagnostico,
ii. Estratégias e Diretrizes de Projeto da Paisagem;
iii. Síntese das Analises, através da formulação do Plano Conceitual:
1.O Programa
2. Zoneamento e/ou Setorizações
4. O Projeto da Paisagem, seus elementos e processo:
a. Elementos e condicionantes do Projeto da Paisagem
b. O Conceito de Formação do Espaço Exterior;
c. Os Estratos Vegetais e seu papel na construção de espaços;
d. A Estruturação Morfológica Vegetal como Metodologia de Projeto da Paisagem;

 

 

 

 


One Response to Sobre

  • Boa tarde Prof. Ceniquel, estou fazendo doutorado no PROURB e gostaria de ler sua tese de doutoramento “AFFONSO EDUARDO REIDY : ORDEM, LUGAR E SENTIDO – Uma Visão Arquitetônica da Centralidade Urbana no Rio de Janeiro”, mas não achei na base de dados Minerva. Eu teria outra forma de consultá-la!? Desde já obrigada!

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